este espaço pretende discutir questões referentes ao universo feminino, trocar idéias e experiências, objetivando contribuir de alguma forma para as vivências de mulheres contemporâneas.
Sou uma (quase) Historiadora apaixonada pelas histórias que envolvem o universo feminino. Tudo o que faz referência a este universo poderá ser abordado aqui, pois, pretendo compartilhar vivências, opiniões, medos, gostos, sonhos, alegrias, enfim, tudo aquilo que está relacionado aos recônditos do mundo feminino.
Graças a uma amiga blogueira, acabei atentando para a peculiaridade deste dia: o dia do amigo. Em homenagem a esta data, que no Brasil é comemorada em 18 de abril, ofereço um abraço super afetuoso aos meus antigos e novos amigos. Beijos a todos!
Há dias que uma música não sai da minha cabeça. Sonhei com ela no início da semana e desde então não paro de cantarolar. Trata-se da belíssima canção Hymne à l'amour de Edith Piaf. Esta admirável mulher, que acredito ser o maior expoente da música francesa, saiu dos subúrbios de Paris, onde ganhava a vida cantando nas ruas, e encantou o mundo a partir dos anos 30 com sua voz inigualável. Hymne à l'amour, composta em 1950, representa mais que uma declaração amorosa: é uma homenagem, um elogio ao amor. Piaf a compôs num momento em que encontrava-se completamente enamorada pelo pugilista Marcel Cerdan, o grande amor de sua vida, demonstrando, assim, toda a magnitude e beleza que existem no amor, o mais nobre dos sentimentos. Sem mais delongas, curtam a belíssima voz de Môme Piaf.
Hino ao amor
Letra: Edith Piaf Música: Marguerite Monnot
O céu azul sobre nós pode desabar E a terra bem pode desmoronar Pouco me importa, se tu me amas Pouco se me dá o mundo inteiro
Desde que o amor inunde minhas manhãs Desde que meu corpo esteja fremindo sob tuas mãos Pouco me importam os problemas Meu amor, já que tu me amas.
Eu irei até o fim do mundo Mandarei pintar meu cabelo de louro (ou: Me transformarei em loura) Se tu me pedires Irei despendurar a lua Irei roubar a fortuna Se tu me pedires
Eu renegarei minha pátria Renegarei meus amigos Se tu me pedires Bem podem rir de mim Farei o que quer que seja Se tu me pedires
Se um dia a vida te arrancar de mim Se tu morreres, se estiveres longe de mim Pouco me importa, se tu me amas, Porque eu morrerei também
Teremos para nós a eternidade, No azul de toda a imensidão No céu não haverá mais problemas Meu amor, acredite que nos amamos. Deus reúne os que se amam.
Quero abrir este blog com um post em homenagem à Florbela Espanca (1894-1930), poetisa portuguesa cuja obra foi marcada por temas como sofrimento, tristeza, amor e anseio pela felicidade, talvez como reflexo de sua conturbada vida particular. Além dessas características, verificamos também em sua obra a presença de uma forte carga de erotismo e feminilidade, desvelando dessa forma, os sentimentos e a intimidade feminina fortemente reprimidos, pois, durante séculos a mulher foi estritamente relegada à esfera do privado, enquanto que o homem era associado ao espaço público, portanto, não convinha publicizar os recônditos femininos, tal qual o fez Florbela. E ela o fez tão perfeitamente que a crítica a considera como uma das maiores figuras femininas da literatura portuguesa do início do século XX, apesar de seus contemporâneos não atribuirem a ela o devido reconhecimento, por vezes tratando seu trabalho de forma preconceituosa. Por tudo isso, ela é uma das minhas escritoras favoritas e sua obra merece notoriedade. O soneto a seguir é intensamente marcado pelo erotismo feminino e trata-se de um dos meus prediletos. Viva a "poetisa eleita"! Viva Florbela Espanca!
CHARNECA EM FLOR
Enche o meu peito, num encanto mago, O frémito das coisas dolorosas... Sob as urzes queimadas nascem rosas... Nos meus olhos as lágrimas apago...
Anseio! Asas abertas! O que trago Em mim? Eu oiço bocas silenciosas Murmurar-me as palavras misteriosas Que perturbam meu ser como um afago!
E nesta febre ansiosa que me invade, Dispo a minha mortalha, o meu burel, E, já não sou, Amor, Sóror Saudade...
Olhos a arder em êxtases de amor, Boca a saber a sol, a fruto, a mel: Sou a charneca rude a abrir em flor!